Se eu pudesse, faria com que o dia 20 de abril sumisse do meu calendário.
Na verdade, se eu pudesse, faria com que esse dia não significasse nada.
Muito na verdade, se eu pudesse, faria com que o dia de hoje não tivesse qualquer acontecimento marcante.
Bem na verdade, se eu pudesse, faria com que nada apagasse de mim a vontade de viver esse vigésimo dia do mês de abril.
Acima de tudo verdade, se eu pudesse, não lembraria de você com tanto desespero e mágoa.
A verdade meeesmo é que se eu pudesse, eu apenas abriria um um lindo sorriso com a maiiiis bela saudade que alguém poderia sentir e diria: "Como aquele dia eu fui REALMENTE feliz!".
Só porque essa música representa muito do dia de hoje...
Sempre tentei entender a diferença entre amor e paixão. No fundo, sempre achei (ou tinha medo) que eles acabassem sendo a mesma coisa e eu perdesse a chance de viver esses dois sentimentos.
Na vida a gente demora a descobrir que estamos apaixonados ou amando. "Paixonites" adolescentes temos várias em nosso currículo pessoal. Há sempre aquela pessoa especial do colégio ou da vizinhança que te faz se sentir no céu, achar que o mundo é perfeito e cor de rosa. Mas só quando a gente se apaixona "pra valer" é que percebemos que está apaixonado é muito mais que sentir no céu. Na verdade, você passa a desejar, mais do que nunca, a ficar na Terra. Seus dias ficam mais alegres, mas ao mesmo tempo mais aflituosos por você não está 24 horas com quem se deseja. Quando você encontra a pessoa seu
dispara (e isso é verdade), todo tempo do mundo é pouco, é possível sonhar (dormindo e acordada) com esse alguém e contar cada segundo para sentir novamente o cheiro e gosto de quem gostamos. Não tem racionalidade, não tem individualidade, ao contrário, tudo passa a ser patológico. Ciúmes é uma característica que passa a te dominar e você se torna um "idiota" com todo o prazer do mundo. Por incrível que pareça isso é uma delícia. E só quem passa pela experiência sabe como é maravilhoso e, surpreendentemente, encantador viver dessa forma.
Por um tempo eu fui exatamente assim e fui tão feliz (mas tão tão tão feliz) que quando acabou eu nem sabia bem para onde ir e como ser. Acontece uma transformação na gente muito significativa e parece que perdemos o rumo, antes tão bem definidos pra gente. E foi depois de tanto sofrer, chorar, me lamentar que eu percebi que paixão tem prazo de validade e que o amor, bem, o amor tem que prevalecer.
Reacendeu em mim o amor pelo outro que se evidenciou de uma forma clara e muito bonita. Nessa momento, tive a certeza que ao passar o prazo de validade da paixão, eu descobri o que é amar.
Eu não sabaria definir o amor. Há tantas formas de defini-lo... Acredito que amor é algo para demonstrar, ao invés, de falar. Não que as pessoas devam deixar de falar, não não. Afinal, dizer e ouvir um "eu te amo" é incrível. Mas demonstrar fica muito mais próximo do seu verdadeiro significado.
O amor, ao contrário da paixão, te deixa inteiramente humano. Você dizer não, dar bronca, brigar, fazer cara feia, aceitar o seu amado com outra pessoa por querê-lo ver feliz são formas de amar também. Na paixão a gente não aceitaria isso, pois a paixão é egoísta. E eu não quero ser egoísta com você!
A minha "hora" passou, a paixão passou, as lembranças talvez tenham passado também, mas meu amor continua aqui. Livre, verdadeiro e desejando tudo que há de melhor no mundo, porque apesar de tudo, eu sei que você merece!!
Texto: Natalia Afonso.
Escrevi esse texto faz tanto tempo sem nem saber o porquê de está escrevendo e sem ninguém a oferecer. Mas hoje, por acaso, li e achei que cabia perfeitamente para o dia, o momento e para a pessoa a quem quero oferecer. Quando a gente gosta de uma pessoa, mas gosta mesmo, muito...não tem tempo ou distância que faça com que esqueçamos delas, e também, não há mágoas que não nos deixe desejar o que há de melhor no mundo.
Uma quase Poesia
Adoraria escrever composições lindas como a do Djavan
E poder viver na “Linha do Equador”
com a força de um “Samurai”
e sem nunca deixar de ser uma “Pétala”.
Até mesmo perto do “Oceano”
Isso me faria “Sorrir”.
Seria marcante ser tão profunda como as Letras de Chico Buarque
Ser decisivo como um “Cálice”
Está sempre em uma “Roda Viva"
Participar de uma “Construção”
E perto dela ver “A Banda”
Poder dizer tudo “Olhos nos olhos"
Inclusive a frase mais importante: “Eu te amo”.
“Apesar de você” não aceitar “Todo o sentimento”
Que eu possuo:“O meu amor"
Desejaria que você fosse apenas uma “Tatuagem”
Mas você já se tornou “Um pedaço de mim”.
“O que será” que passa pela sua cabeça?
Me pergunto sempre e no fim acho que tudo “Vai passar”.
Muitas vezes vejo que, na verdade, seria mais fácil Viver as canções do Jorge Vercilo.
Pensar em como “Eu e a vida”
Podemos ser “Leve”
Com o sem um herói como o “Homem Aranha”
E nem um rosto célebre como da “Monalisa”
Marcaria poder sentir o “Himalaia”
Desejar “Boas Novas”
Sonhar com um “Final Feliz”
Sentada na “Praia Nua”
E acreditando que o amor é realmente” O encontro das águas”.
Por fim acredito tentar entrar nas músicas da Ana Carolina
Esperando te encontrar no “Elevador”
Mesmo que sem querer... Esperar “Quem de nós dois” tomará coragem
De dizer que nós somos “Uma louca Tempestade”
“Aqui” ou nas “Ruas de Outono”.
Espero que nada seja como um “Carvão"
E sim sejam “Rosas”
“É isso aí” que fará a diferença
Quando eu “Encostar na Tua”
“Confesso” que na “Garganta” faltou as palavras certas
“A canção tocou na hora errada”
E eu percebi que não há “Nada pra mim”
Que “Hoje eu estou sozinha”.
Termino esse quase poema desejando que um dia possamos ser Um lindo Soneto de Vinícius de Morais
Seja ele de “Fidelidade”, de Saudade” ou de “Separação”.
Fato é que “Para Viver um Grande amor”
Seria mais fascinante podermos ser uma bela poesia.
Texto: Natalia Afonso

Mergulhei no mar
e não dava pé
Me apaixonei
mas não sei por quem
Sonho com alguém
Que você não é
Eu me entreguei demais
Eu imaginei demais
e o silêncio fala mais que a traição
Foi um devaneio meu
um veraneio seu
e um outono inteiro
em minhas mãos
Vi um sol nascer
pelos olhos seus
me deixei levar
eu nao refleti
que era a luz dos meus
refletida em ti
Eu me entreguei demais
Eu imaginei demais
e o silêncio fala mais que a traição
Foi um devaneio meu
um veraneio seu
e um outono inteiro
em minhas mãos.
(Jorge Vercillo)
Dizem que eu sou muito simpática, muito inteligente, muito educada, muito sorridente, muito agradável, muito amiga, muito otimista, muito...
Na verdade (bem na verdade) eu sou muito muita coisa!
Sou muito boa pessoa porque acredito que Deus não nos criou atoa, sou muito feliz por tudo que ELE me deu, sou sim muito amiga porque nada no mundo se compara a uma verdadeira amizade, sou muito mal-humorada quando estou aborrecida, sou muito chata quando sou contrariada, sou muito inteligente mesmo e concordo com que diz isso de mim (rs), sou muito bonita para quem consegue enxergar a VERDADEIRA Natalia, sou muito educada sim porque tenho uma grande mulher como mãe, sou muito família, sou muito caseira (apesar de não dispensar uma BOA diversão), sou muito otimista com o que acho que vale a pena (e nem sempre sou o suficiente para compreender a humanidade), sou muito sorridente sim porque acredito na sinceridade, sou muito fiel, sou muito leal, sou muito Flamenguista (e ai de quem ache isso palhaçada...Se acha, meu bem, não diz! Fico brava mesmo!!!), sou muito brava quando acham que tenho que ter as mesma opiniões que os outros, sou muito moleca quando desando a fazer minhas brincadeiras regadas a minha imponente gargalhada (que nunca é uma só), sou muito transparente porque, para mim, tem que ser tudo na base da verdade, sou muito Carioca porque é definitivamente um orgulho ser da Cidade Maravilhosa, sou muito Valenciana por tudo que pude viver de melhor no interior, sou muito Mangueirense porque admiro e respeito tradições, sou muito religiosa porque sem fé a vida (literalmente) não faz sentido, sou muito agradável porque busco ser a cada dia um ser humano melhor (embora nem sempre consiga), sou muito carinhosa com as pessoas que amo, sou muito extrovertida com quem tenho intimidade, sou muito tímida com quem mal conheço (muitas vezes, inclusive, me acham muito metida por isso), sou muito geniosa, sou muito determinada, sou muito menina para a vida e muito mulher na vida,sou uma pessoa muito fácil de gostar e também sou uma pessoa muito difícil de lidar, sou muito (muito) fã do Julio Cesar (e com muito muito orgulho), sou muito apaixonada pelo Pequeno Príncipe, sou muito emotiva, sou muito falante (quando começo a fala, salvem-se quem puder...rs), sou muito branca, sou muito paranóica comigo mesma, sou muito chorona, sou muito sem paciência (mas já até melhorei um pouco), sou muito de valorizar cada coisinha que acontece comigo, enfim, sou muito eu!
Muitas vezes o fato de eu ser MUITO incomoda as pessoas porque parece que estou querendo liderar, tomar a frente, aparecer, pegar no pé, cobrar...Mas eu só sei ser MUITO AMOR. É esse meu jeito. Talvez toda essa intensidade seja uma forma (errada) de fazer aos outros felizes. Porque eu só sei ser feliz e e fazer feliz aquilo que eu cativei.
Ser o MUITO é ter a minha rosa no meu Planeta!
Ao som dessa torcida sem igual
A previsão do tempo para o dia 6 de dezembro de 2009 no Rio de Janeiro era de céu encoberto com pancadas de chuva, mas o dia amanheceu com céu claro e muito calor. Diz a sabedoria popular que essas previsões sempre costumam falhar. A mesma sabedoria que diz que matemática e futebol são duas coisas que não combinam. Imaginem vocês que faltando cerca de dez rodadas pra terminar o Campeonato Brasileiro os frios números indicavam que dois times do Rio tinham em torno de 1% de chance de conquistar seus objetivos. O Flamengo de chegar ao título, o Fluminense de escapar do rebaixamento. Perguntem a qualquer torcedor apaixonado se ele deu ouvidos a isso.
O Rio acordou vestido de vermelho e preto. Não me lembro da última vez que vi algo assim. Ainda não era 2 da tarde, três horas antes do horário marcado para a última partida do ano, e o Maracanã já estava praticamente lotado. Onde quer que se passasse, as camisas rubro-negras pareciam traje obrigatório.
Eu não dormi. Não dormia direito há dias, mas essa noite em especial. Os minutos não passavam e a proximidade da batalha final me deixou num estado quase que incontrolável de nervosismo. Quando parti rumo ao Coliseu do futebol meu coração palpitava no peito com a certeza de que estava vivenciando um momento histórico. Me aproximar do maior estádio do mundo e ver a multidão que o rodeava foi de arrepiar a alma.
Lá dentro a festa era a esperada. É senso comum que times de futebol têm torcidas, mas que o Flamengo é uma torcida que tem um time. A energia que emana das arquibancadas lotadas por essa Nação é algo que nem o mais avançado médium saberia explicar. É mitológico. O que eu posso atestar de concreto é que o estádio tremia a cada explosão conjunta dessa força da natureza.
Na hora marcada os gladiadores vieram a campo. Homens predestinados a honrar um manto sagrado capaz de assustar as mais temidas criaturas, de transformar o mais frágil dos seres humanos num atroz caçador de bestas assassinas. A catarse começou.
Muita gente acreditava que a missão não seria das mais difíceis. Derrotar um desmotivado adversário que ainda poderia, com um empate ou vitória, ajudar seu mais odiado rival. Mas nenhum dos rubro-negros do mundo se deixou enganar. Quem é Flamengo sabe desde o berço: nada, nunca, é fácil quando se trata das nossas maiores conquistas.
E não poderia ser diferente. Enquanto o jogo ainda tomava forma, enquanto cada personagem daquela disputa ainda encontrava sua função na trama, num despretensioso escanteio, surge um pé dentro da pequena área que empurra a bola pra dentro do nosso gol. 1x0 pros vilões.
O silêncio era sepulcral. O maior estádio do mundo lotado pela maior torcida do mundo estava calado. Seria possível escutar o suspiro de alguém lá do lado de fora. Enquanto isso o placar eletrônico começava a indicar o temido: em outros cantos do país os adversários faziam sua parte e o título começava a escapar.
A equipe nervosa, como não poderia deixar de estar, partiu pra cima como conseguia e a torcida clamava por raça. E foi assim, na vontade, numa disputa de corpo, que a bola sobrou pra David, um jovem zagueiro perdido na área adversária, soltar um petardo em direção ao gol e empatar a partida. 1x1 e esperança renovada. Faltava um. Um golzinho pra consagração final.
A torcida urrava, roia as unhas, tremia, chorava... O segundo tempo começou e nada do jogo desencantar, o adversário, como sempre acontece com quem chega ao Maracanã contra o Flamengo, queria complicar. O tempo urgia, o desespero aumentava, a aflição parecia que não teria fim, até que, de repente, numa bola alçada a área pelo maestro Petkovic, surge mais alto que Deus o mais fiel retrato do brasileiro que deu certo: Ronaldo Angelim, nosso zagueiro esquerdo, um homem que a humildade e perseverança servem de inspiração de operários a poetas, testou a bola de forma fatal e entrou pra História.
A explosão de alegria que tomou conta da multidão daí em diante é algo que nenhuma palavra que eu possa usar para descrever jamais será fiel ao fato. A angústia perdurou até o apito final que consagrou aqueles bravos jogadores e seu bravíssimo comandante Andrade, um homem digno e trabalhador, competente e consciente, verdadeiro e pé-no-chão, rubro-negro de coração, como campeões brasileiros.
Foi o sexto título nacional conquistado pelo Gigante rubro-negro, que parecia adormecido e de repente resolveu acordar pra se alimentar de alguns leões. Não poderia ter sido melhor, não poderia ter sido diferente, não poderia ter sido de mais ninguém. A profecia diz que, crenças à parte, o Flamengo existe para conquistar e dominar. E assim foi feito.
2009 é um ano que ficará para sempre na minha memória. A felicidade que senti ontem é algo que não tem explicação, não tem dimensão, e, graças a Deus, não tem cura. É a felicidade suprema de ser Flamengo. De fazer parte desse acontecimento que une seres das mais diferentes origens, classes sociais, crenças, ideologias, todos num só desejo maior: o de gritar “gol!”. Hoje o mundo está mais équiça do que nunca.
Autor: Pedro Neschling
http://bloglog.globo.com/pedroneschling/
Coloquei esse texto aqui porque ADORO os textos do Pedro e neste ele traduz tudo o que gostaria de dizer sobre o jogo de domingo, mas me faltaram palavras.
Flamengo Hexacampeão Brasileiro.
O melhor presente de aniversário que ganhei na vida!
Muito orgulho de ser RUBRO-NEGRA!!!!
Naty Afonso.
Andando, o principezinho encontrou um jardim cheio de rosas. Contemplou-as...eram todas iguais à sua flor.
E deitado na relva, ele chorou...
E foi então que apareceu a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Que quer dizer "cativar" ?
- É uma coisa muito esquecida. Significa criar laços...Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. Eu não tenho necessidade de ti e tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, teremos necessidade um do outro. Serás para mim, único no mundo. E eu serei para ti, única no mundo. Minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. O teu passo me chamará para fora da toca, como se fosse música. A gente só conhece bem as coisas que cativou.
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal- entendidos. Cada dia te sentarás mais perto...Se tu vens por exemplo, às quatro da tarde, desde às três, eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar...a gente corre o risco de chorar um pouco, quando se deixou cativar. E acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua, é a única no mundo. É simples, o segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. Foi o tempo que perdeste com tua rosa, que fez tua rosa tão importante. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa ...
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar...
Os homens do teu planeta, disse o principezinho, cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim...e nunca encontram o que procuram...E no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa , ou num pouquinho d'água...Mas os olhos são cegos. É preciso buscar com o coração..."
(Antoine De Saint- Exupéry)
Só porque a pessoa que me fez amar ainda mais O PEQUENO PRÍNCIPE faz aniversário hoje. Essa parte do livro me lembra muito você, Fernanda!!!!
Toda a felicidade do mundo para você, queridíssima.
Que você continue esse exemplo de pessoa, transmitindo paz e alegria a todos.
Muita saúde, muito amor e muitos anos de vida.
Eu adoro você!!!!
Beijos Naty
Amor Que Nunca Vi
Pensei em poder dizer tanta coisa nessa data, que agora que chegou não tenho mais as minhas palavras.
(Natalia Afonso)
Saudade
Trancar o dedo numa porta dói.
Bater com o queixo no chão dói.
Torcer o tornozelo dói.
Um tapa, um soco, um pontapé, doem.
Dói bater a cabeça na quina da mesa,
dói morder a língua,
dói cólica, cárie e pedra no rim.
Mas o que mais dói é a saudade.
Saudade de um amigo que mora longe.
Saudade de uma brincadeira da infância.
Saudade de uma pessoa que perdeu contato .
Saudade do gosto de uma bala que
não se encontra mais.
Saudade do avô que morreu,
do amigo imaginário que nunca existiu.
Saudade de uma cidade.
Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa.
Doem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida
é a saudade de quem se ama.
Saudade da pele, do cheiro, dos beijos.
Saudade da presença, e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sua casa e ele na dele, sem
se verem, mas sabiam que acabariam se encontrando .
Você podia ir para casa da sua mãe e ele para a faculdade,
mas sabiam onde o outro estava (ou, pelo menos, imaginava).
Você podia ficar dias sem vê-lo, ele dias sem
te ver, mas sabiam que haveria um amanhã onde poderíam ficar juntos.
Contudo, quando o amor de um acaba, ou torna-se
menor, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe
como deter.
Saudade é basicamente não saber.
Não saber mais se ele continua trabalhando muito e jogando futebol com os amigos.
Não saber se ele continua sem fazer a monografia.
Não saber se ele ainda usa as mesmas gírias para se referir as pessoas.
Não saber se ele foi no jogo do Flamengo no fim de semana passado.
Não saber se ele tem comido bem ou se não está resfriado;
se ele tem assistido às aulas da faculdade,
se aprendeu os novos pagodes que estão tocando em todas as rádios.
se ele estaria acordando cedo ou tarde ;
se ele continua preferindo coca light;
se ele continua preferindo o Torozinho ;
se ela continua detestando o Juan;
se ele continua sorrindo com covinhas;
se ele continua dançando até o chão;
se ele continua cantando tão bem (nem tão bem assim...rs);
se ele continua amando;
se ele continua com o melhor beijo do mundo.
Saudade é não saber mesmo!
Não saber o que fazer
com os dias que ficaram mais compridos;
não saber como encontrar tarefas
que lhe cessem o pensamento;
não saber como frear as lágrimas diante de uma música;
não saber como vencer a dor
de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ele está com outra,
e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz,
e ao mesmo tempo querer perguntar a todos os amigos.
É não querer saber se ele está mais magro,
se ele está mais bonito.
Saudade é nunca mais saber de quem se ama,
e ainda assim doer...
Saudade é isso que senti
enquanto estive escrevendo
e o que gostaria muito que você sentisse
agora depois que acabou de ler.
Texto: Martha Medeiros
Adaptação: Natalia Afonso.