Segunda-feira, 25 de Maio de 2015

Resenha "O Cortiço" - Aluísio de Azevedo

Sinopse: conta a história do caminho que João Romão percorre para ficar rico. Para conseguir atingir esse objetivo, ele, que é o dono do cortiço, explora os seus empregados e até comete furtos. A sua amante, Bertoleza, trabalha continuamente, sem folgas ou descansos. Ao lado do cortiço mora Miranda, um comerciante bem sucedido, que entra em disputa com João Romão por uma braça de terra que quer comprar para aumentar o seu quintal. Como eles não entram em acordo, eles rompem relações. Movido por uma extrema inveja de Miranda, João passa a trabalhar arduamente para conseguir ficar mais rico do que o seu rival. Quando Miranda recebe o título de barão, aos poucos João percebe que não basta apenas ganhar dinheiro, mas também participar ativamente da vida burguesa, como ler livros e ir ao teatro, por exemplo. O relacionamento entre Miranda e João Romão melhora quando João passa a tentar imitar as conquistas do rival, tanto que o cortiço passa a ser um lugar mais organizado e agradável e passa a se chamar Vila João Romão. João começa uma amizade com Miranda e pede a mão de sua filha em casamento, mas tem Bertoleza atrapalhando os seus planos. Dessa forma, João a denuncia como escrava fugida, e em um ato de desespero, ela acaba cometendo o suicídio. Assim, ele fica livre para se casar e se encerra O Cortiço.

O Cortiço é um livro que foi escrito no ano de 1890, por Aluísio de Azevedo, um grande autor da nossa literatura, que mostrou as relações humanas de uma forma muito crua e real. Na época do lançamento o livro, este chegou a ser tratado como melhor do que muitos outros livros de autores, como Machado de Assis, devido a pertencer a escola naturalista, de grande prestígio na Europa e que ganhava força cada vez maior aqui no Brasil. A história se passa no Brasil, durante o século XIX, sem data precisas, mas no livro mostram características bem próprias deste século como costumes, alimentação e vestimentas. Há dois ambientes que são explorados: o cortiço e o sobrado do comerciante Miranda e sua família, que fica ao lado do cortiço. E nesse contexto que tudo será desenvolvido. Não demorou muito para que O Cortiço estivesse nas casas e arrancasse da sociedade da época críticas positivas e negativas.
A obra é narrada em terceira pessoa, com o narrador onisciente, ou seja, ele tem conhecimento de todos os acontecimentos, sejam ações ou pensamentos. O narrador tem grande poder na estrutura da história e pode, aparentemente, parece para os leitores ser imparcial, mas na realidade ele entra diretamente em diversos pontos da narrativa, tornando a narrativa próxima o bastante da realidade daquele momento do país. 
O tempo é trabalhado de modo linear, com início, desenvolvimento e final da narrativa, uma narrativa comum, mas com seus detalhes próprios de verdade, personagens muito rico, com efeitos, qualidades, sentimentos, ambições, exatamente como é e deve ser um Ser Humano. E é exatamente essa questão de mostrar o Homem, a Sociedade, os preconceitos, as modas e a hierarquia de uma maneira tão sedutoramente verdadeira e fiel a realidade do cotidiano e das emoções, que faz este livro ser, para mim, um dos maiores clássicos da nossa literatura e, Aluísio de Azevedo, um dos maiores nomes deste cenário.
 
Recomendo. Aliás, acho extremamente necessário que as pessoas tenham contato com esta obra e você como sempre foi cruel, desorganizada e sentimental as relações entre pessoas, meio, consciência e valores.
 
 
"Uma bela noite, porém, o Miranda, que era homem de sangue esperto e orçava então pelos seus trinta e cinco anos, sentiu-se em insuportável estado de lubricidade. Era tarde já e não havia em casa alguma criada que lhe pudesse valer. Lembrou-se da mulher, mas repeliu logo esta ideia com escrupulosa repugnância. Continuava a odiá-la. Entretanto este mesmo facto de obrigação em que ele se colocou de não servir-se dela, a responsabilidade de desprezá-la, como que ainda mais lhe assanhava o desejo da carne, fazendo da esposa infiel um fruto proibido. Afinal, coisa singular, posto que moralmente nada diminuísse a sua repugnância pela perjura, foi ter ao quarto dela."

 

publicado por criando às 01:03
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